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Fernando Diniz compara Ganso a Xavi e diz que futebol brasileiro está "defasado"

Colunistas: 
Marcos Antônio

Fernando Diniz compara Ganso a Xavi e diz que futebol brasileiro está "defasado"
 

Um Fluminense confiante, com filosofia de jogo e conviccção. Esse é o time que Fernando Diniz conseguiu montar com pouco tempo de trabalho na equipe carioca. Mesmo com um elenco com poucos nomes badalados, o Flu ganhou destaque no cenário nacional nesta semana após eliminar o Flamengo pela semifinal da Taça Guanabara.

Em entrevista ao blog de Mauro Cezar Pereira, do Uol, Fernando Diniz explicou como enxerga o futebol brasileiro na atualidade.

"Aqui no Brasil está defasado o que temos praticado já há muito tempo. Cada um tem uma maneira de ver, gosto de apreciar o jogo e que os jogadores joguem bem, se divirtam. O futebol pelo qual me apaixonei quando criança é o que tento fazer, e está na essência do jogo, que é o jogador. É isso que me motiva a acordar para dar treinos", disse.

Retomada de bola rápida, posse e paciência são algumas das características da equipe de Diniz, que explicou como fez e faz para implantar a ideia em seus jogadores.

"Tenho esse compromisso comigo e com os jogadores e temos que trabalhar muito. Não fico no padrão do que estão fazendo, nem aqui nem na Europa. Estive lá agora dando uma olhada. Vou citar o que considero de melhor, o Manchester City, só que no Brasil tenho que trabalhar mais, com um volume maior de treinamento, pois há coisas parecidas e diferentes. Faço isso porque gosto, acho melhor e é o mais simples para mim", afirmou.

"Trabalho mais preocupado com a minha ideia do que com a dos outros. Grandes jogadores me fizeram gostar de futebol e acho que todos os profissionais já foram 'o melhor' em algum momento, na rua, na escola, na base… Em algum momento da vida deles. E se você resgata, isso terá mais confiança, mais coragem, recuperando a auto-estima do cara, gerando um efeito promissor. É preciso acreditar no trabalho e nos caras. Mas tem pressão, entrega de resultado, imprensa…", continuou.

Apesar do bom resultado no clássico, Diniz entende que não há motivos para euforia. "Vou aprendendo as coisas e essa é a intenção, tenho apenas essa preocupação, não com o que vão falar de mim. Me preocupo com o que acontece internamente. Sabemos que a Taça Guanabara tem um valor diminuído, ela leva apenas a uma semifinal estadual, mas o valor simbólico da vitória no Fla-Flu é grande. E a nossa realidade não pode mudar muito. Uma das coisas que temos de estar sempre atentos e conter a euforia, fizemos uma partida boa, mas foi só isso, temos uma porrada de coisas para melhorar", afirmou.

O treinador acredita que pode ajudar Ganso, recém-contratado pelo clube, a recuperar o futebol vitoso de outros anos. "Falei para ele desde o começo. Essa história começou em 2016, nos 4 a 1 do Audax sobre o São Paulo. Eu lhe disse que queria ter o prazer de ser o treinador dele um dia. No ano passado, num jogo do Athletico, conheci o empresário do Ganso, e ele me disse que o jogador lembrava do que falei, que ficou contente. E agora soube que ele gostaria de jogar conosco, no Fluminense. Foi o primeiro passo, acredito que as qualidades dele potencializam muito dentro do que desenvolvemos no futebol. Tivemos um bom entendimento. Estou confiante de que vai dar certo", disse.

Diniz para explicar como enxerga o futebol de Ganso, o comparou a Zico e Xavi. "Ele não tem obrigatoriedade de entrar na área, e tem mais de Xavi do que de Zico. E tem mais genialidade do que tinha o Xavi, pode fazer coisas que Xavi não fazia. Falo do potencial. Se conseguirmos ajuda-lo a botar pra fora esse potencial… Ele tem genialidade, é um jogador incomum. O futebol ficou mais físico e às vezes não comporta as qualidades que tem. Uma equação que não é das mais fáceis, mas se jogar bem será bom para todos nós, principalmente para o futebol. Ele faz coisas que nos estimulam a gostar de futebol, e o Brasil perdeu jogadores com essa característica. É um talento diferente", analisou.

O comandante do Tricolor, por fim, revelou o que planeja para a temporada no clube. "Que adquira com o passar dos treinamentos a ideia da coletividade. Quero trazer jogadores que melhorem a qualidade do time, mas nunca planejando em médio ou longos prazos, não faço isso, gosto de pensar que posso ter um time cada vez mais competitivo, harmonioso e com jogadores que gostam de viver juntos e trabalhar coletivamente. O Fluminense passa por momento de dificuldade financeira e política, precisa de ajuda e estou feliz por estar num clube com o qual tenho identificação. Eu e o Fluminense nos encontramos num bom momento para os dois, estou fazendo o máximo para ajudar".
 
Fonte: Onefootball 
Divulgação: Site Eternamente Futebol 
Em 16/02/2019 

Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC