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Iniesta e Del Nero, o Bem e o Mal

Colunistas: 
Marcos Antônio

Iniesta e Del Nero, o Bem e o Mal

 

Foi uma sexta-feira de despedidas oficiais significativas no futebol: o craque Iniesta anunciou sua partida do Barça em direção ao exílio dourado dos campos da China, e Marco Polo Del Nero, foi banido definitivamente do futebol pela Fifa.

Não sou adepto dessa simplificação do Bem e do Mal porque entre um e outro há tantas variantes na alma humana…
Mas, neste caso, cabe essa divisão.

Iniesta é o Bem expresso nos campos de futebol durante quase duas décadas, e – dizem os que o conhecem – também em sua vida privada, aquele craque que só elevou o nível do jogo da bola com sua técnica esmerada, sua habilidade, sua disciplina tática e no contato com os demais participantes do espetáculo.
Desde menino no Barça, sofreu interregnos por conta de contusões recorrentes, mas já ficou na memória eterna do torcedor de toda a Espanha, sobretudo por ter sido o autor do gol da conquista do único Mundial da Fúria.

Tento afastar o sopro em meu ouvido do Dr. Alzheymer, e mesmo assim não consigo outro de seus compatriotas que se iguale a ele como o maior jogador da história de seu país. Xavi, seu companheiro de tantas jornadas, talvez.

Mesmo porque, embora o futebol espanhol tenha abrigado desde sempre nomes extraordinários, a maioria deles era de estrangeiros.

A começar pelo húngaro Kubala que quase detonou uma segunda Guerra Civil Espanhola quando pretendido por Real e Barça, lá no início dos anos 50. Tanto, que o caudilho Franco teve de intervir na questão, como mediador, sugerindo que o craque atuasse um ano no Barça, outro no Real, o que acabou não acontecendo. E passando pelo húngaro Puskas e o argentino Di Stefano, dois dos maiores craques da história mundial, que chegaram até a vestir a camisa da Fúria na Copa do Mundo de 62. Até chegarmos a Messi e CR7, que apenas defenderam e defendem as cores de Barça e Real.
Já Del Nero encarna o Mal, em todos os sentidos, na esfera sombria da cartolagem brasileira.

Conheci o Marco Polo quando ainda era aprendiz de cartola, vagando pelas salas do antigo prédio do Zillerthal, na Brigadeiro Luís Antônio, que abrigava a FPF. E, confesso, embora tivesse um bom relacionamento com vários dirigentes da época, limitava-me a cumprimentá-lo por uma mera questão de civilidade. Algo no moço me advertia, imagino.

Pois, trançando as teias do poder, Marco Polo acabou sendo parceiro de Marin, na FPF, assim como mais tarde na CBF.
Se Havelange, dentre tantas tramoias, pelo menos teve o condão de unificar o futebol brasileiro na sua primeira gestão à frente da então CBD, e seu herdeiro em tudo, Ricardo Teixeira, organizou o Brasileirão nos moldes universais dos pontos corridos, turno e returno, Marco Polo não acrescentou o mais imperceptível ponto positivo em suas administrações.

Ao contrário: na FPF, criou os mais absurdos e deficitários sistemas de disputa; na CBF, rasgou os estatutos, dando força absoluta às federações estaduais, comprando seus votos ao distribuir salários altos aos respectivos presidentes.

Quando acuado pelo FBI, que colocou em cana seu parceiro Marin, e pela Fifa, decidiu transferir o poder para um Caboclo cuja ação nesse campo é, no mínimo, desconhecida da maioria.

Espero que o novo presidente da CBF, já eleito de maneira canhestra, siga a rotina da velha história da criatura se rebelando contra o criador. Mas, desconfio que essa antiga parábola só terá um epílogo depois de um bom tempo de submissão aos desejos do criador.

Enquanto isso, prevalecerá outro antológico dito bem brasileiro: mudam as moscas, mas a m… é sempre a mesma.

 
Blog do Alberto Helena Jr.- Gazeta Esportiva
Foto: Pau Barrena/AF
Divulgação: Site Eternamente Futebol