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Há 7 anos na China, ex-Fluminense é ídolo e não pensa só em ganhar em dinheiro lá: 'Quero ficar até encerrar a carreira'

Há 7 anos na China, ex-Fluminense é ídolo e não pensa só em ganhar em dinheiro lá: 'Quero ficar até encerrar a carreira'
 
 
Há 7 anos na China, ex-Fluminense é ídolo e não pensa só em ganhar em dinheiro lá: 'Quero ficar até encerrar a carreira'
 
 
Antiga promessa das categorias de base do Fluminense, Dori foi um dos primeiros brasileiros a se aventurar na China.

Em sete anos atuando no país asiático, o atacante viu o futebol do país asiático sair do semiprofissionalismo para uma espécie de "Eldorado", atraindo nomes consagrados como Tévez, Hulk, Oscar, Cannavaro, Pato, Marcelo Lippi e Felipão.
 
“Antes você tinha que levar o uniforme de treino pra lavar em casa e atualmente isso já é realizado pelo clube. Em termos de alimentação, só nos serviam as comidas locais, enquanto hoje em dia cozinham pratos distintos para os estrangeiros”, disse o jogador, atualmente no Nei Mongol Zhongyou FC, ao ESPN.com.br.
 
Muito deste crescimento se deu por causa da enorme injeção de dinheiro que o esporte recebeu do governo local.

“No que diz respeito a parte financeira, houve uma evolução gigantesca. O futebol chinês vive um outro panorama em relação aos valores das transferências e dos salários”, contou.
Logo que chegou à China, Dori sofreu para se acostumar com as diferenças culturais.
 
“Os jogadores chineses já me fizeram passar por cada situação... Pediam para eu dizer algo pra outro jogador, e aí o rapaz vinha com sangue nos olhos pra cima de mim. Claro, boa coisa não tinha sido (risos)”, confessou.
 
Além do idioma, o brasileiro de 27 anos sofreu com a culinária chinesa.
 
“Eles adoram pimenta, mas eu detesto. Quando chegava esfomeado dos treinos, eu perguntava se o prato era apimentado e eles negavam. Quando eu começava a comer a vontade era de tomar um banho, porque esquentava o corpo todo!”, relatou.
 
Apesar de ter experimentado muitos pratos exóticos, ele prefere não se arriscar outra vez.
 
“Não troco o certo pelo duvidoso nunca (risos). Mas já comi carne de carneiro, carnes feitas na água quente (famoso hotpot), dumplings, mas nada de tão diferente, até porque como eu disse, se puder optar, vou sempre no que já conheço”, admitiu.
 
Mesmo com tanto tempo na China, Dori até hoje não se acostumou ao trânsito caótico.
 
“Já fui parar em tantos lugares absurdos por dizer o destino errado, que agora quando eu entro no táxi minha esposa não deixa nem eu abrir a boca. É ela quem diz o endereço (risos). Mas essas histórias aconteceram basicamente no meu primeiro e segundo ano aqui na China. Hoje estou mais malandro”, garantiu.
 
A “malandragem” do brasileiro é justamente não ter mais automóvel. “Já tive motorista, mas optei por não continuar e hoje ando de moto e patinete. Na China tem muita gente, você não acredita, é trânsito todo dia e toda hora!”, relatou.
 
Começo no Fluminense
 
Dorielton Gomes Nascimento começou a jogar futebol aos cinco anos, em uma escolinha em Vila Velha-ES. Depois, foi para a Associação Esportiva Recreativa de Tubarão (Aert) e fez testes no Vitória, mas não deu certo.
 
Pouco depois, porém, o adolescente foi aprovado no Fluminense e fez sucesso nas categorias de base em Xerém.

“Quando eu cheguei, passei a ter que "servir" os caras mais velhos. Por exemplo, tinha que ir comprar lanche pra eles. Como a concentração ficava no alto de um morro, tínhamos que descer um longo caminho. Quem se recusava era obrigado a tomar banho gelado com roupa e tudo! Além disso, tinha que limpar as chuteiras, entre outros castigos”, recordou.
 
Como todo adolescente, Dori não gostava muito de seguir todas as regras.
 
“A gente só podia ficar na rua até às 22h, quando o portão era fechado. Claro, eu ficava até depois do horário (risos). Restava então pular o muro, altíssimo, e encarar a possibilidade de ser flagrado pelos seguranças e pelas câmeras! Era uma aventura!”, disse.
 
Um pouco avesso aos estudos, o jovem sofria com a vigilância de uma severa funcionária da escola.
“Éramos obrigados a passar na sala dela e falar: ‘Oi Ana, estou indo pra escola e blá blá blá’... Eu até fazia isso, mas em seguida pulava a janela do meu quarto e dormia a tarde toda (gargalhadas)”, contou.
 
Poucas chances no profissional
 
Em 2008, estreou pelo profissional do Fluminense em uma derrota por 2 a 0 para o Náutico, em partida válida pelo Brasileiro.
 
“Minha estreia não foi como eu esperava. Estava muito nervoso, ansioso, na verdade quase passei mal”, relatou.

No ano seguinte, foi artilheiro do clube tricolor na Copa São Paulo de futebol júnior. Mesmo assim, fez apenas mais um jogo no time principal: empate em 0 a 0 com o Olaria, pelo Campeonato Carioca.
 
“Acredito que tive poucas chances por causa do elenco do Fluminense na época ser muito acima da média, com jogadores de ótima qualidade. Triste, fiquei sim, porque naquele momento já me considerava um tricolor, sentia algo forte pela instituição e queria poder fazer história no clube que deu a minha grande oportunidade”, lamentou.
 
Com apenas dois jogos pelo Flu, Dori foi emprestado para o Brasiliense e o Náutico antes de mudar de país. “Minha saída foi normal, eles disseram que não contavam comigo e havia essa oportunidade da China, então bastou sentar e conversar”, explicou.
 
“Família, oportunidade profissional e situação financeira. Essas foram minhas motivações pra aceitar a proposta”, admitiu.

Em sete anos na China, Dori jogou por Changchun Yatai, Guangdong Sunray Cave, Harbin Yiteng e Nei Mongol Zhongyou FC. Feliz com a idolatria no país asiático, o atacante não tem planos de voltar tão cedo ao Brasil.
 
“Se eu puder, fico mais uns oito, dez anos aqui na China, até encerrar a carreira”, finalizou.
 
Fonte: Espn.com.br
Divulgação: Site Eternamente futebol