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Por que Alisson ainda é reserva na Roma, mesmo brilhando na Seleção

Colunistas: 
Marcos Antônio

Por que Alisson ainda é reserva na Roma, mesmo brilhando na Seleção
 

Muita gente ainda se pergunta como é que Alisson é tão incontestável pela Seleção Brasileira, por que ele vai tão bem desde a chegada de Tite ao comando do Brasil e como tudo isso acontece enquanto ele é a segunda opção para o gol da Roma. Se você por acaso não acompanha de perto o futebol italiano e tem estas dúvidas, bem, podemos resolvê-las rapidamente.
 
Antes de mais nada: o Brasil só levou aquele gol do Uruguai em virtude de um erro grotesco de Marcelo no recuo de peito. Desesperado e sem tempo, Alisson precisou sair de forma emergencial e acabou cometendo um pênalti. Não se pode tratar o lance como um erro isolado do goleiro, mas sim como uma consequência da besteira do lateral, que aliás, ainda fez várias outras bobagens até o fim da goleada por 4-1 na última quinta-feira.
 
Tudo bem, mas o tema central do texto não foi a atuação de ontem por parte de Alisson, e sim a explicação para a sua reserva na Roma. Bem, para começo de conversa, o ex-Internacional foi contratado ao início da temporada como primeira opção. Szczesny, o titular do time, estava emprestado pelo Arsenal e retornou ao clube inglês por alguns meses, tudo isso antes da fase de preparação. Entretanto, sabe-se lá porque, a Roma tentou trazer o polonês de volta nos primeiros jogos, para ter duas boas opções na meta.
 
Não foi por fragilidade de Alisson, porque verdade seja dita, ele mal teve tempo de mostrar seu valor. Com o retorno definitivo de Szczesny, que foi muito bem em 2015-16, a Roma teve nele o seu goleiro de confiança, já experiente em cenário internacional e com maturidade suficiente para ocupar o posto. Ainda bem jovem, Alisson entendeu que precisaria esperar algum tempo para tomar conta da vaga.
 
Isso posto, Szczesny era o titular da Roma na Serie A e na Liga dos Campeões, enquanto Alisson ficava com alguns jogos pontuais e a Copa da Itália. Entretanto, com a eliminação romanista na Champions, diante do Porto, antes mesmo da fase de grupos, a participação na Liga Europa caiu no colo do brasileiro, que foi muito bem em todas as partidas, até a queda nas oitavas de final contra o Lyon. Ele inclusive fez sua melhor apresentação no jogo de volta, vencido de forma insuficiente pela Roma por 2-1, no Olímpico.
 
Não basta para Alisson ir bem quando é escalado. É preciso que Szczesny vá mal ou falhe para perder o prestígio. E até o momento, com 3/4 da temporada disputados, isso esteve bem longe de acontecer. Ambos oferecem muita segurança ao gol giallorosso e são incontestáveis quando jogam. O problema aqui começa a se configurar quando nos damos conta de que, apesar de ser mais experiente, o polonês tem 26 anos, portanto dois a mais do que Alisson.
 
Temos então dois goleiros muito competentes e que não cometeram falhas que sirvam para definir quem é o primeiro e quem é o segundo. Sabe-se que Szczesny naturalmente terá mais chances por jogar as 38 rodadas da Serie A. E que Alisson só chegará perto disso se o clube disputar duas finais de competições de mata-mata. Como só sobrou a Copa da Itália em paralelo, Alisson ganhou algumas convocações para jogos mais tranquilos pela Liga.
 
Se Szczesny não tivesse jogado uma baita temporada em 2015-16 pela Roma, Alisson dificilmente chegaria para ser reserva. Mas é de se esperar que a situação deixe um dos dois insatisfeito em curto prazo. E a Roma vai ter de escolher apenas um neste caso. Ter dois grandes goleiros no elenco só costuma dar certo se um entende que não vai jogar tanto. E quando for a hora, tem de entrar muito bem e focado para não falhar.
 
A curiosidade aqui é que ao mesmo tempo que Alisson é o titular do Brasil e reserva na Roma, Szczesny é a segunda opção na seleção polonesa. Essa distorção dificilmente vai ser resolvida, a não ser que um dos dois saia. Por agora, os ânimos e os egos estão contidos. E Alisson continuará sendo o camisa 1 da Seleção, independente de seu status na Roma. Quem sabe uma virada drástica do destino o coloque em posição favorável para também ser titular pelo clube. Seria coerente para um dos grandes goleiros da atualidade.
 

Felipe Portes - Yahoo! Esportes Brasil