Conheça a metodologia de contratações do Fortaleza em 2020

Conheça a metodologia de contratações do Fortaleza em 2020
 

Por Alexandre Mota, Diário do Nordeste - 19h58 

 / 13 de janeiro de 2020
 
 

Na lista de qualidades consultadas, uma fundamental é como se portam extracampo
 
A busca é intensa, mas árdua pela quantidade de critérios. Apresentando um reforço para a temporada de 2020 – o volante Michel, ex-Grêmio – o Fortaleza Esporte Clube trabalha com um centro de inteligência integrado para aprimorar o elenco, que conta com 24 atletas.
 
O recém-chegado, inclusive, é um exemplo do perfil que o Leão busca no mercado: peças competitivas, com qualidade técnica e que disputem a titularidade. Assim, apenas nestes 12 dias do ano, a diretoria tricolor recebeu ofertas de mais de 300 jogadores, entre propostas de empresários, compra de direitos federativos ou empréstimos.
 

O número atravessa um criterioso filtro, que envolve a necessidade da contratação, da adaptação ao esquema de jogo e da viabilidade da negociação. Com folha salarial estimada em R$ 3 milhões mensais, incluindo comissão técnica, o time tem orçamento para investir e trabalha na reposição de atletas que o deixaram, como o atacante Edinho, que retornou ao Atlético/MG.

 
Um dos principais alvos de interesse é Marcinho, do Chongqing Dangdai, da China. Para a posição, Deivid, do Cruzeiro, também é monitorado. Ambos atuam pelas pontas, apresentam velocidade e habilidade no um contra um. Além disso, têm experiências passadas com Ceni, outro trunfo em qualquer negociação.
 
Na lista de qualidades consultadas, uma fundamental é como se portam extracampo. Antes de contratar, o Fortaleza sonda o novo funcionário traçando um sistema psicológico, em que informações sobre disciplina, treinamento, liderança e até uso de álcool são aferidas.
 

Tudo para, de fato, realizar um investimento preciso e que favoreça o ambiente interno. No processo, o presidente Marcelo Paz, o diretor de futebol Daniel de Paula Pessoa, o gerente de futebol Sérgio Papellin e o próprio Rogério Ceni sempre dialogam com fontes para receber indicações, até de ex-companheiros de equipe - os nomes são escolhidos com aval de todos.

 
O departamento médico também se resguarda do histórico de lesões dos jogadores sondados. O setor chancela a contratação e prepara trabalhos de prevenção e fortalecimento específicos, uma vez que a metodologia do treinador requer o uso da bola em todos os treinos.
 

TECNOLOGIA
 
O uso do sistema informatizado de banco de dados é um aliado de peso na decisão do nome. Atualmente, clube busca mais quatro jogadores, todos devidamente mapeados e que tiveram o desempenho mensurado por vídeos e scouts – com detalhamentos de pontos negativos e positivos.
 
Um que logrou êxito na avaliação e tem negociações avançadas é o meia Luiz Henrique, que pertence ao Flamengo. Com 20 anos, o atleta tem características que agradam e já acertou as bases salariais para defender o Fortaleza, que tenta a compra de 60% dos direitos econômicos.
 
O entrave é o desejo do time rubro-negro de utilizá-lo durante o Campeonato Carioca, algo imprevisto pela diretoria tricolor. Dessa forma, há conversas em andamento para facilitar a liberação, mas outros atletas similares estão sendo estudados.
 
O intuito é sempre fortalecer o grupo em prol do esquema 4-2-4, que foi consolidado por Ceni. Assim, a procura envolve a manutenção tática, que tem zagueiros construtores, volantes com bom passe, laterais e atacantes verticais, além de centroavantes que façam recomposição defensiva.
 
 

A análise não mensura idade definitiva, o escopo prioritário é entre 20 e 32 anos. A faixa etária só limita a forma de contrato oferecido – seja qual for sempre envolve uma compensação financeira em caso de ruptura do vínculo.

 
Como o caso de Kieza, de 33 anos. O atacante havia assinado com o clube até abril, mas desejou obter a liberação para se transferir ao Náutico. No acordo, o Fortaleza lucrou R$ 500 mil entre cláusulas contratuais.
 
 
ETERNAMENTE FUTEBOL