Futebol brasileiro: são mais de 6 décadas sob a égide da corrupção

Futebol brasileiro: são mais de 6 décadas sob a égide da corrupção 
 
De João Havellange até Marco Polo Del Nero foram mais de 6 décadas em que o futebol brasileiro foi administrado por gestores comprovadamente corruptos. João Havellange, (não houve investigações nem provas contundentes contra Havellange, todavia é considerado o pioneiro da corrupção no futebol ) , Ricardo Teixeira , José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Estes três últimos foram banidos para sempre do futebol pela prática de muitos crimes , tais como suborno , lavagem de dinheiro, propina, fraude , dentre outros ilícitos. Embora as principais conquistas de nossa seleção e clubes tenham ocorrido em períodos em que nosso futebol era adminstrado por esses homens é também inegável que os prejuízos que eles causaram ao futebol brasileiro , por meio da corrupção, são altamente danosos sendo ,  inclusive , responsáveis pelo declínio progressivo do futebol brasileiro.
 
João Havellange, sogro de Ricardo Teixeira, é considerado o pioneiro da corrupção no futebol. Dirigiu a extinta CBD , hoje CBF , por 18 longos anos. O Período de Havellange até Ricardo Teixeira asumir durou 15 anos. Durante esse tempo , houve também denúncias de corrupção, embora de forma mais comedida porque nessa época  o país vivia sob o Regime Militar. Se João Havellange foi o pioneiro da corrupção no futebol , então é pouco provável que a ida do cartola para presidir a Fifa tenha posto fim ao ciclo reconhecidamente implantado por ele. 
 
João Havellange foi presidente da CBD (Atual CBF) de 1956 até 1974 . Também foi presidente da Fifa de 1974 a 1998. "É considerado um dos fundadores da corrupção do futebol e responsável por transformar torneios em grandes contratos por rentabilidades, levando como bandeira subornos velados e como hino complexas estruturas da máfia esportiva. Comandou a Fifa por 24 anos, sendo o único presidente não europeu da história da Federação. O ex-cartola foi o responsável por dobrar o número de seleções na Copa do Mundo, por criar os Mundiais de categorias inferiores, sempre em busca de mercados e alianças polêmicas, marcadas por escândalos e sujeira de bastidores. A característica de visionário no futebol também lhe rendeu a corrupção no peso de sua imagem.
A marca deixada na entidade em 1998 foi a herança mantida por seus sucessores, como Joseph Blatter.." ( Jornal GGN - Por Patricia Faermann)
 
Almirante Heleno de Barros Nunes dirigiu a CBD de 1975 a 1979. Giulite Coutinho presidiu a entidade de 1980 a 1986. Octávio Pinto Guimarães foi presidente de 1986 a 1989. 
Em reportagem da revista Placar Edição 773 ,  publicada em 15 de março de 1985 , há uma matéria na qual se reproduz um discurso feito na Câmara Federal  pelo deputado Márcio Braga denunciando  a corrupção no futebol brasileiro: "...Márcio Braga chega a pedir a renúncia de Giulite Coutinho da presidência da CBF". À época, teve repercussão a reportagem "podres poderes" publicada por Marcelo Rezende na revista Placar,  
 
Ricardo Teixeira foi presidente da CBF durante o período de 16 de janeiro de 1989 até 12 de março de 2012. Seu quinto mandato em sequência terminou em 2007, entretanto havia sido prolongado, e deveria durar até 2015.
Em 2019 , Ricardo Teixeira foi banido para sempre do futebol pela Fifa por corrupção.
 
José Maria Marin foi presidente da CBF no período de 2012 a 2014. Em 2015, a Fifa baniu Marin para sempre do futebol por lavagem de dinheiro, conspiração e fraude. José Maria Marin encontra-se preso nos Estados Unidos desde maio de 2015.
Marco Polo Del Nero foi empossado presidente da CBF em 16/04/2015 até dezembro de 2017. Foi banido para sempre do futebol pela Fifa 27 de abril de 2018 por suborno e corrupção.
"Antes de ser banido , Del Nero manobrou para que Rogério Caboclo, seu aliado, fosse eleito, sem oposição e sem qualquer outro candidato na disputa. A mesma estratégia já havia sido adotada por Ricardo Teixeira, quando deixou a CBF em 2012 e escolheu a dedo seus sucessores" ( Veja)
Rogério Langanke Caboclo , atual presidente da CBF, apadrinhado político de Marco Polo Del Nero, foi eleito presidente da CBF em substituição a Del Nero para o período 2019 a 2023.
 
Obviamente , o declínio do futebol brasileiro tem como uma das principais causas a corrupção dos quatro principais cartolas que dirigiram o futebol brasileiro por décadas: João Havellange , Ricardo Teixeira , José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.
A administração do atual presidente, Rogério Caboclo, é uma incógnita. Só a história irá mostrar se ele teve por base a ética , a moralidade e a honestidade em sua gestão de 4 ou 8 anos ( vai querer ser reeleito) à frente da principal gestora do futebol brasileiro. Não podemos esquecer de que Caboclo é apadrinhado de Del Nero. 
 
 
Para outras informações sobre investigações de corrupção no futebol brasileiro, compartilho o link do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados que investigou as relações da CBF com a Nike. O Relatório foi publicado em 28/04/2002.
 
RESUMO: o texto apresenta síntese de partes do Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados, que investigou as relações entre a CBF e a multinacional Nike (CPI CBF-Nike), além de aspectos pertinentes ao crescente e inexplicável endividamento da entidade federativa maior do futebol brasileiro. 
 
PARA LER TODO O RELATÓRIO , CLIQUE NO LINK: 
 
https://www.ludopedio.com.br/v2/content/uploads/181423_Ano%20XII,%20N%2017%20Setembro_2001_1.pdf
 
 
P.S: Em 2015, instala-se a CPI do Futebol do Senado. Foi encerrada  20/12/2016 de forma inconclusiva , sem nenhum indiciamento. O texto oficial, do senador Romero Jucá (PMDB-RR), não pede nenhum indiciamento como resultado das investigações sobre contratos e negociações da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e seus dirigentes. ( Fonte: Agência Senado)
 
Marcos Antonio Vasconcelos Rodrigues - Redator do Site Eternamente Futebol , acompanha futebol desde os anos 1970. Possui especialização em língua portuguesa e literatura, autor do livro "Palavras do meu sentimento". 

 
 EM 27 DE DEZEMBRO DE 2019