COLUNA - Marcos Antônio Vasconcelos Rodrigues

O texto profético de Nelson Rodrigues que coroou Pelé três meses antes da Copa de 58

Pelé se eternizou além dos lances. Também se colocou acima dos números. Não se resume apenas à fama. É a aura que torna Pelé tão grandioso ao futebol. Porque, afinal, o camisa 10 lendário deixou de ser um simples humano há décadas – ainda que o humano, completando 78 anos nesta terça-feira, continue reverenciado. O craque é, na verdade, uma entidade – e por isso às vezes a gente perde de vista o que foi, ou diminua o homem falível.
 
Não há sinônimo maior de futebol do que Pelé. E, por isso mesmo, o que carrega consigo acaba sendo muito mais sublime. É literatura, prosa de uma conquista ou poesia de um lance. É pintura, pincelada em seus gols. É música, resumida pela voz empolgada dos narradores que tiveram a honra de transmitir suas façanhas. Arte no estado mais puro e, ao mesmo tempo, mitológico. Pois o que importa, toque de exagero em uma realidade já superlativa, é o encantamento que todo mundo aguarda como clímax diante da bola.